randon

Estado Civil: (...)

 

– Vocês estão namorando?! O jeito como vocês se tratam é tão fofo, formam um belo casal.

Aquela frase dissipando-se no ar alcançou-me como um tapa até que me dei conta que, de fato, formamos um belo casal. E não, não estamos namorando. Vai ver foi por isso que me senti desconfortável: De repente eu não poderia mais me preocupar ou, sei lá, demonstrar gostar dele por não termos acordado que de um dia x em diante seríamos namorados? Não namorar nos tornaria menos casal? Ou torna o casal menos belo?
É um momento estranho pra ser o ficante de alguém, veja, estamos quase em cima do dia dos namorados: Toda a publicidade está focada em nos mostrar quanto é importante e especial ter um namorado, alguém que se compromete e te presenteia e te suporta.
É, sobretudo, um estranho momento pra ser ficante de alguém porque eu não preciso de um pedido de namoro, de um rótulo ou de uma atualização de status numa rede social qualquer pra me comprometer, presentear ou suportar. Eu só preciso me deixar envolver e, bem, eu tenho deixado. Não por pressão publicitária ou por carência mas porque eu encontrei alguém que eu gosto e gostar de alguém é algo bem natural, certo?
Há todo um conjunto de regras sociais que determinam que “isso é coisa de namorado”, “isso é coisa de ficante”, mas o que eu proponho é um gigantesco 'FODA-SE'. O que existe mesmo é coisa de gente que se gosta, que tem empatia e carinho pelo outro.
E daí se eu quiser te dar um presente numa data aleatória ou te levar pra jantar naquele novo restaurante? E daí se você quiser que eu faça parte da sua vida? E se eu quiser fazer parte da sua vida? Pra gostar de alguém e querer que ela se sinta especial você só precisa de alguém que você goste e que seja especial pra você. É simples, não requer rótulos, nem pedidos fofos (e ocasionalmente constrangedores), sem cobranças ou pressões.
Mas se ele ficar com outra pessoa? E se eu ficar com outra pessoa? Tudo bem, se vocês querem ficar com outras pessoas, fiquem. Tem aproximadamente 7 bilhões de pessoas no mundo e nenhuma delas é perfeita e capaz de proporcionar todas as experiências do mundo a qualquer outra pessoa que elas possam vir a se relacionar. O gostar reside na ausência de posse sobre o outro: Vocês saem, beijam-se calorosamente, cuidam um do outro, trepam incansavelmente, assistem a um filme e a vida segue até que vocês combinem de fazer tudo isso de novo ou combinem de fazer tudo diferente. A escolha de ficar ou não com outras pessoas deve ser uma decisão pessoal mas o fato você ficar com outra pessoa ou de não estarmos namorando impede que eu me preocupe se você almoçou? Ou que você fique preocupado sempre que eu me arrebento jogando bola? Preocupar-se com o outro é humano, antes de tudo. E por não estarmos namorando vai ser menos especial se eu te levar pra uma praia deserta pra fazer uma fogueira e olhar o céu? Todos nós viveremos momentos inesquecíveis com qualquer pessoa que nós nos relacionemos, é uma máxima da vida, porque os momentos inesquecíveis começam em nós.
Da mesma forma que todos nós sofreremos em algum momento por algum motivo, então não é por medo de sofrer que eu não te pedirei em namoro. É só que eu aprecio a liberdade de poder estar com você porque eu quero e não porque eu sou alguma coisa sua.

Talvez por isso, se me perguntarem novamente se estamos namorando eu responda “não, mas estamos felizes e é isso que vale” não é mesmo?
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